A humanidade sempre consumiu drogas. Primeiramente em rituais religiosos e, ao descobrir os poderes delas, em aplicações medicinais, que acabaram levando ao abuso com o hábito do prazer.
O ópio, derivado da papoula é conhecido há pelo menos oito mil anos. A população andina masca a coca há mais de dois mil anos. Escritores chineses do Século I AC dão conta do uso da maconha já naquela época.
A China foi o primeiro país a proibir o uso do ópio, mas sua decisão foi contestada por ingleses e americanos, que lucravam com o tráfico da droga, ocasionando duas guerras, vencidas pela Inglaterra e pelos Estados Unidos, que reativaram o mercado chinês. Este fato põe em destaque a evidência que interesses não humanitários, mas sim políticos e comerciais nortearam, através dos tempos, as ações de combate ao uso de drogas.
Um exemplo foram as campanhas desencadeadas nos Estados Unidos no início do século passado, alertando para o fato de que, os negros enlouquecidos pela cocaína e os chineses sob efeito do ópio podiam fazer mal às mulheres brancas, uma argumentação claramente racista.
Algumas drogas também eram um obstáculo à sociedade industrial que começavam a se firmar, já que diminuíam a capacidade de produzir dos trabalhadores. A fibra do cânhamo, derivada da maconha, concorria com as fibras sintéticas recém descobertas. A indústria farmacêutica passou a produzir drogas cujos efeitos disputavam o mercado dos consumidores da maconha e cocaína.
Na primeira década do século passado, os Estados Unidos passaram a considerar crime o uso de drogas e pressionaram para um acordo internacional proibindo seu cultivo e venda. Desde então esta visão punitiva se expandiu até o ponto em que em 1979 o então Presidente Richard Nixon lançou a sua guerra contra as drogas, retomada por Ronald Reagan e George Bush.
Em 1982 os Estados Unidos incluíram no seu orçamento uma verba de 2 bilhões de dólares para o combate ao tráfico e uso de drogas. Em 2000 esta verba se elevou para 20 bilhões, acrescida de mais 19 bilhões gastos por Estados e Prefeituras.
No Brasil, o combate às drogas desenvolve-se em três frentes: na primeira, tenta-se acabar com a oferta do produto através do combate ao narcotraficante, que recebe as maiores penas legais, quando preso e processado, tendo mercadoria destruída quando apreendida.
A segunda frente é a intimidação ao usuário, reprimindo-se, desta forma, a demanda. Portando drogas, o indivíduo passa por uma série de constrangimentos e situações vexatórias, além de responder a processo penal. Esta frente inclui a educação, mostrando ao indivíduo os riscos do consumo e seus males à saúde.
Outra forma de combate é o tratamento daqueles que já estão dependentes de drogas. Destas três estratégias a que tem recebido maior atenção e recursos por parte das autoridades é o combate ao trafico, que conta inclusive com apoio logístico, técnico e financeiro dos Estados Unidos, muito embora a sociedade como um todo esteja se unindo em torno da idéia do combate através da educação, discutindo e revelando os riscos e danos que o uso da droga ocasiona no indivíduo.
Fonte: Artigo extraído da revista Drogas & Drogados
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